Para os tesos, pessimistas e afins...
Peço desculpa, este poste vai ser longo quem não se quer aborrecer é melhor desistir já. Vão chover reclamações mas não atirem logo pedras.
Sou de opinião que é sempre possível comprar casa, desde que seja uma que se possa pagar. Ou seja, se um casal ganhar 950€ mensais não vai comprar uma casa de 100000 € (só porque o vizinho o fez, ou porque a casa é bonita ou porque sim) se calhar vai ter que comprar uma de 60 000€.
Nota: O pessoal das cidades grandes a esta altura pensa que sou maluca um sítio para viver por 60000€ impossível. Mas já pensaram que pode ser um T0? R/C? Velho mas habitável? Fora da cidade...
Este mesmo casal vai ter que criar uma poupança inicial (20%) que lhe permita dar de entrada na casa no valor de 12000€.
Ou seja mais ou menos uma poupança mensal de 500€ durante dois anos. Parece muito? Se calhar parece, mas se não o conseguir fazer como é que pensa pagar uma casa, as despesas inerentes a ela como condomínio (se se aplicar), seguros, imposto municipal, empréstimos, manutenções e imprevistos. Se não o fizer é melhor desistir por aqui.
O lado positivo deste sacrifício inicial é que só vai pedir ao banco 48 000 € o que diminui o risco do casal diminuindo assim o spreed do empréstimo.
Vai ter um empréstimo bem mais razoável, durante os primeiros 2 anos vai dormir num colchão no chão e ficar com a mobília da família que já ninguém quer. Elegante? Não. Glamoroso? Também não. Mas este mesmo casal durante este dois anos vai poder dormir descansado e ir mudando as coisas à medida das suas possibilidades.
Fiz uma simulação para um crédito habitação de 48000€ a pagar em 40 anos (na cgd não porque goste mais deste banco mas porque conheço melhor a plataforma) sem fiadores em 10/11.
E fiquei CHOCADA 5.2% de spreed e 1.776% de euribor a 6 meses, 316 € de prestação (com seguros incluídos) . Quase que engoli as minhas próprias palavras.
Ora bem um pouco de educação financeira:
A Euribor é uma taxa elaborada com base na média de juros cobrada pelos
bancos na Zona Euro entre si para se financiarem. Ou seja, funciona como
uma taxa interbancária. Além desta função, a Euribor é também o
indexante mais recorrente no crédito à habitação em Portugal.
Por outras palavras é o que temos que pagar ao banco (quer sejas teso ou não).
O spread é a margem aplicada pelas instituições financeiras sobre uma
taxa de referência (normalmente a Euribor) para obtenção de taxa de juro
a considerar em determinada operação.
Por outras palavras quanto mais teso és mais tens que pagar ao banco.
Este mesmo casal vai ter que fazer muitas coisas:
1º Decidir se quer realmente pagar ao banco durante 40 anos 316€ (pelo menos enquanto a euribor não subir (e ela pode mudar radicalmente para cima e para baixo como pude comprovar nestes últimos 7 anos)
2º Aumentar os seus recursos: um part time, fazer e vender algum tipo de artesanato (o que chamo de economia paralela) etc.
3º Enganar o Banco (façam um teste, eles vivem de aparências, podem ir com um ar desleixado e eles ficam com ar de enfado ou podem ir com a vossa melhor apresentação com um ar profissional e eles estendem-nos um tapete pelo menos até ver os nossos rendimentos)
4º Comparar o valor da mensalidade do empréstimo (juntamente com todas as outras despesas) com o valor do arrendamento na mesma zona.
5º Decidir se quer viver miseravelmente com um rendimento disponível de 634,00€ (enquanto a euribor não subir)
6º Esperar mais um ano e poupar uns trocos.
A esta altura quem leu até aqui pode pensar a conjuntura está má, podem perder as casas se não conseguirem pagar as prestações, um dos elementos do casal pode perder o emprego ou ficar doente, com um rendimento disponível destes dificilmente se vão pagar a eles próprios primeiro (regra dos 10%) etc. concordo com tudo isso mas as pessoas vão ter que ter sempre um sitio para viver.
Na minha humilde opinião é apenas uma questão de sonhos e decisões. Posso por exemplo decidir que me vou deslocar de bicicleta e o valor disponível para transporte ser canalizado para outra coisas.